Conversa Menos é Mais

Menos pressa – Slow Food

Eu sempre amei cozinhar, desde pequena passava horas assistindo todos os programas de culinária. Eu mandava e-mail e carta (sim, carta!) para várias empresas que ofereciam livretos de receitas e até pouco tempo recebia a revista da Nestlé e Ajinomoto em casa (hoje vejo a revista da Nestlé em formato digital). Tenho um baú com as revistas e livretos de receitas e guardo com o maior carinho. Eu amava ficar inventando na cozinha e agradeço por meus pais sempre me apoiarem.

Conto tudo isso até para reforçar para mim mesma que sim, eu sempre amei cozinhar! Sempre me dei bem com panelas, colheres medidoras e batedeira. Infelizmente, por conta das outras tantas coisas para fazer, cozinhar foi se tornando uma obrigadação chata. Não tinha mais o mesmo interesse de pesquisar e fazer comida.

Apaixonada por culinária, eu nunca me distanciei totalmente. Ainda faço download das revistas da Nestlé, minhas listas de desejos da Amazon e Saraiva estão lá, preenchidas em grande parte por livros de gastrononia e nutrição (aceito presentes, #ficadica) e várias inscrições novas em canais do Youtube. Foi só quando comprei alguns livros de gastronomia/receitas, recheados com fotos lindas, e muitos com histórias parecidas com a minha, que comecei a retornar as minhas origens. A Aline cozinheira estava lá, sufocada pelo cotidiano.

Um dia desses lembrei que há algum tempo ouvi falar sobre o slow food. Curiosa, lembro de ter lido brevemente o que é era, sem me aprofundar. Acredito que no momento aquilo não fazia sentido para mim, por isso a pesquisa foi rasa. Dada as minhas circuntâncias atuais (bem fast), me peguei pensando na palavra “slow” e o quanto ela estava pipocando ultimamente.

“Slow” – é tudo o que eu não estava sendo. Só fazia as refeições bem atropelada, pensando no que eu tinha que fazer logo após terminar de cozinhar e comer. 

Cozinhar deixou de ser um ato de amor e prazer e se tornou uma tortura. Afinal, cozinhar é trabalho árduo: decidir o que fazer levando em conta a saúde, fazer lista de compras levando em consideração o que já tem em casa, ir ao mercado, no meu caso ler os rótulos, cozinhar os alimentos e depois de tudo ainda lavar a louça e fazer tudo isso depois de trabalhar fora e em casa também.

Fui pesquisar mais o tal “slow food” e diferente da primeira vez, aquilo agora fazia sentido para mim.

Slow Food chegou para ser tudo aquilo o que o Fast Food não é, ou seja, comida de verdade, preparada e pensada com o maior carinho, desde o cardápio até a escolha dos ingredientes. É se alimentar e saborear a comida sem pressa, com a cabeça naquele momento, sem celular e afins. 

Fazemos tudo tão no automático que nem percebemos os pequenos prazeres (como é desfrutar do prazer que é comer). Eu mesma já cozinhava e comia assim, no modo automático ligado.

É difícil tirar o pé do acelerador, mas ó…já dei o primeiro passo – que é saber que é preciso desacelerar.  Agora é treinar e separar pelo menos uma refeição do dia para praticar.

Depois conto como estou indo (espero que devagar, rs)

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